Fugindo do abismo e do caos

02/01/2013 15:01

 

                                                 

 

O ano mal começou e os Estados Unidos já estavam trabalhando arduamente na bolsa eletrônica para evitar o abismo fiscal e na manhã desta quarta-feira a Bovespa abriu em alta, seguindo as bolsas europeias. Mas... o que tem acontecido, afinal?

 Primeiro tratemos de entender o tal abismo fiscal que os Estados Unidos quase se enfiaram. O tal abismo fiscal nada mais é do que um aumento excessivo dos impostos e um corte dos gastos que poderiam prejudicar a economia. Isso levaria o que resta da economia americana ao caos total novamente. E onde começou toda essa loucura?

A Crise Econômica = nos Estados Unidos começou pela quebra do setor imobiliário. As pessoas tinham os chamados “subprime” que é um crédito oferecido para indivíduos com histórico de inadimplência, rendimentos econômicos mais baixos e uma situação econômica mais instável. E a única garantia nesses empréstimos eram os imóveis dos indivíduos.

 Aconteceu, porém, que os Estados Unidos têm uma política de Neoliberalismo – o estado não intervém na economia – os banqueiros estavam quebrando e decidem pedir auxílio ao Estado. Que resolve intervir na situação. O que fica conhecido como Crise Neoliberal.

Temos então a Securitização = agrupamento de hipotecas transformadas em títulos que são comprados e vendidos para um fundo de pensão que passa a receber esse dinheiro. É aí que os fundos de pensão, os bancos e as seguradoras saem perdendo porque o valor das hipotecas começa a ser vendido muito baixo e as pessoas não têm mais dinheiro para comprar porque não conseguem pagar a sua própria hipoteca.

Ou seja, a crise foi o resultado de uma jogada bancária onde as pessoas endividadas não conseguiam mais pagarem suas dívidas, o banco tenta renegociar isso e não dá certo. Sendo assim, o governo intervém e acaba “salvando” a situação bancária. Porém, sequem perde o imóvel não consegue pagar sua dívida inicial, dá-se início a um ciclo de não recebimento por parte dos compradores dos títulos. Com o risco de inflação, os juros sobem e o consumo desce (isto nós estamos bem acostumados aqui no Brasil).

Em Outubro de 2008 o FMI anunciou que as perdas no setor imobiliário seriam irrevogáveis e gerariam crise; o 4º maior banco dos Estados Unidos pediu concordata (acordo para não falir) em setembro do mesmo ano; a AIG (American International Group, maior seguradora dos Estados Unidos) recebeu um empréstimo de US$ 85 bilhões do governo.

O jargão usado para indicar que a crise não afetaria outras economias foi “Descolamento” e ele foi em vão. Assistimos durante o ano inteiro que a crise atingiu sim a Europa e acabou com a economia de outros Países. A pergunta da época era: os mercados emergentes (Índia, China, Brasil, Coreia e os Tigres), a União Europeia e o Japão estavam preparados para evitar uma recessão global? E a resposta, até agora, foi que os mercados emergentes são a salvação para a economia global pelo potencial que vêm apresentando. Enquanto que na Europa, a crise vai e volta.

Por isso que os investidores americanos estavam à mil no fechamento do ano e iniciaram o ano tentando resgatar a economia com garras de ferro. Tudo o que não precisavam no momento era de um abismo fiscal e piorar a situação do País. Ao que tudo indica, estão conseguindo.